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Avião com 155 passageiros desaparece durante vôo Manaus-Brasília

Avião com 155 passageiros desaparece durante vôo Manaus-Brasília
Aeronove que partiu de Manaus rumo a Brasília colidiu com outra de pequeno porte, que conseguiu pousar

BRASÍLIA - Um Boeing 737-800 da companhia aérea Gol com 155 pessoas a bordo desapareceu nesta sexta-feira, 29, no município de Matupá (MT), a 207 km a sudeste da base Aérea da Serra do Cachimbo (PA), depois de ter se chocado no ar com um jato Legacy, fabricado pela Embraer. A aeronave de pequeno porte, que era pilotada por um americano e decolou do aeroporto de São José dos Campos (SP), fez um pouso forçado na Base Aérea do Cachimbo e não registrou vítimas. A Aeronáutica enviou equipes de buscas para procurar o Boeing.

No fim da noite, parentes de passageiros que estavam no aeroporto de Manaus deixaram a sala onde eram mantidos pela companhia aérea, em desespero, gritando que o avião havia explodido ao bater na Serra do Cachimbo. O clima também era de desespero nos aeroportos de Brasília, onde o avião faria escala, e do Rio, seu destino final. Em Brasília, cerca de 200 pessoas aguardavam pela chegada do vôo. Em Manaus, outras 100 buscavam informações sobre o paradeiro do Boeing.

A Força Aérea Brasileira (FAB) enviou aviões e helicópteros para as buscas ao Boeing. As aeronaves levaram 20 militares especializados em salvamentos do gênero e vasculharam a região. Segundo informações da aeronáutica na noite desta sexta-feira, 29, um helicóptero seguiria para o local neste sábado para reforçar as buscas.

O Boeing 737-800 da Gol fazia o vôo 1907, de Manaus para o Rio, com escala em Brasília. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião saiu de Manaus às 15h35 e deveria ter pousado na capital federal às 18h12. Às 16h48, o Boeing sumiu dos radares do controle de tráfego aéreo. Conforme nota oficial da Gol, o último contato com o avião ocorreu às 17 horas, via rádio. A companhia recebeu o Boeing, que tinha 200 horas de vôo, no último dia 12.

O radioamador Laudir Benevides, de Goiás, foi o primeiro a comunicar a FAB sobre o acidente às 17h55 (horário local). Ele recebeu informação de um fazendeiro de Peixoto Azevedo, que teria visto o acidente. Conforme o fazendeiro, o avião vinha em alta velocidade, se chocou contra o solo e explodiu. Não haveria sobreviventes. O Boeing tinha combustível suficiente para voar cerca cinco horas sem precisar reabastecer. “A chance de ter caído é de 99%”, afirmou o coronel Ramón Bueno, chefe do Serviço Regional de Proteção ao Vôo (SRPV) de São Paulo.

A Infraero confirmou que estavam presentes três funcionários da própria estatal, entre eles Juvêncio Gomes da Silva e Esdras Loureiro Lucas. A reportagem confirmou também que o antropólogo alemão, Andreas Kovalski, que mora em Brasília e estava na Amazônia fazendo pesquisa de campo, estava no vôo.

Choque inexplicável

O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, classificou como “inexplicável” o choque do avião da Gol com o jato executivo. “Os dois aviões são moderníssimos e têm sistema anticolisão, que faz soar um alarme para alertar o piloto diante de qualquer obstáculo”, disse o brigadeiro.

Durante uma entrevista à Rede Bandeirantes, o ministro da Defesa, Waldir Pires, disse que a falta de atenção da tripulação da Gol pode ter provocado o acidente entre as aeronaves. "É uma coisa que conduz os especialistas a imaginarem que houve certa distração da tripulação. Não se compreende como terá acontecido isso", afirmou.

Um dos aviões, segundo a Infraero, voava a 36 mil pés e o outro a 37 mil pés, o que é absolutamente normal no caso de aparelhos que percorrem a mesma rota, disse Pereira. O nível regular de separação é de 300 metros.

O coronel Ramón Bueno, chefe do Serviço Regional de Proteção ao Vôo (SRPV) de São Paulo, disse que ainda não era possível falar nada sobre o motivo do acidente. “Por algum erro grave, não se sabe técnico ou operacional, houve a colisão. Esse é, talvez, o maior acidente aeronáutico brasileiro”, afirmou. Se o número de vítimas for confirmado, o acidente superaria em gravidade o ocorrido em 1982, quando um Boeing 747 da Vasp bateu contra uma colina pouco antes da aterrissagem em Fortaleza. Na ocasião, morreram 137 pessoas. Mais de 20 parentes de passageiros buscavam informações no saguão do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus.

Acidentes na história

Antes do desaparecimento do Boeing 737-800 da Gol no Pará, o pior acidente aéreo da história no Brasil tinha ocorrido no Ceará, em 8 de junho de 1982. Um Boeing 727 da Vasp bateu contra uma colina, pouco antes da aterrissagem em Fortaleza; 137 pessoas morreram. Dez anos atrás, no dia 31 de outubro de 1996, um Fokker 100 da TAM caiu na Vila Santa Catarina, zona sul de São Paulo, poucos minutos após levantar vôo do Aeroporto de Congonhas com destino ao Rio de Janeiro; 99 pessoas morreram.

A área onde aconteceu a colisão foi campo de provas da Aeronáutica, durante o regime militar. Era lá que o governo pretendia fazer testes com a primeira bomba atômica nacional. O projeto, que nunca chegou a ser implantado, foi simbolicamente arquivado durante o governo civil do ex-presidente Fernando Collor.

No final dos anos 50, durante o governo de Juscelino Kubitschek, a base militar, localizada no município de Jacareacanga, serviu para a revolta de um grupo de militares comandados pelo brigadeiro Haroldo Veloso.

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